Fevereiro acabou. Mas, nele, como ocorre há 94 anos, gráficos do Norte ao Sul do Brasil referendaram o dia 7 – data quando em 1923 iniciou a maior greve da classe. Foi a partir dela, derrotando políticos e patrões, que até hoje há sindicatos e direitos coletivos da classe – estes mesmos que, agora, após tanto tempo, sofrem ataque do governo e empresários
A maioria dos Sindicatos dos Gráficos (STIGs) no País realizou eventos no mês para marcar o 7 de Fevereiro – Dia Nacional da classe. E quase todos eles, juntos aos trabalhadores, festejaram e protestaram contra as reformas do governo Temer que visam retirar os direitos trabalhistas. Foi um oportuno momento para demonstrar aos gráficos que, no passado, a categoria lutou para conquistar os direitos, sendo necessário lutar agora para não perdê-los. Do contrário, sem direito a direitos, trabalharão até a morte sem poder se aposentar e outros benefícios até então presentes.
A conscientização do que está ocorrendo é indispensável para o gráfico e demais trabalhadores partirem para a luta em defesa de seus direitos. “A busca da conscientização dos trabalhadores durante as festas do Dia dos Gráfico contra o governo Temer foi um passo importante diante da atual conjuntura que tem este novo governo e a maioria dos políticos do Congresso Nacional, que só representam o interesse do setor patronal, contra direitos coletivos e sindicatos do trabalhador”, avalia o presidente da Confederação Nacional dos Gráficos (Conatig), Leonardo Del Roy.
Logo, todos precisam saber que a reforma trabalhista do Temer ameaça justamente acabar com a maior das conquistas do 7 de Fevereiro. Visa flexibilizar a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. Nela, estão garantidos os direitos coletivos, cujos são negociados pelos STIGs todos anos nas Campanhas Salariais. Logo, flexibilizá-la além de excluir estes direitos, também acaba com todos os sindicatos, já que não terão, na prática, mais respaldo para representarem os direitos do trabalhador, como acontecia há 94 anos, antes da greve da União dos Trabalhadores Gráficos (UTG), quando, a categoria lutou justamente para ter tal direito.
Em síntese, a reforma sobre os direitos trabalhistas acabarão com duas das maiores vitórias com a greve do 7 de fevereiro/1923 ainda vigentes: direitos coletivos e representação sindical. E o prejuízo será significativo. Cada gráfico brasileiro perderá os seus direitos nas respectivas CCTs. “Os gráficos paulista, por exemplo, perderão 90 direitos contidos na sua CCT, dentre eles, cesta básica mensal, PLR, hora-extra e muito mais. Portanto, ou o gráfico reage agora, ou morrerá trabalhando sem direito”, diz o gráfico Leandro Rodrigues, secretário regional Sudeste da Conatig.
“Foi fundamental os STIGs aproveitarem o 7 de fevereiro para chamar a atenção da classe para os ataques do governo Temer a nossos direitos”, avalia Jorge Caetano, secretário-geral da Conatig. Tais atividades foram realizadas em todo país, do Norte ao Sul. Entre elas, no STIG Itajai/SC; STIG Pará, STIG Ceará, STIG Minas Gerais; STIG Bauru/SP; STIG Santos/SP, STIG Jundiaí/SP, STIG PE e nos demais estados e regiões.
A Conatig diz que agora é preciso que todos os Sindicatos transformem a indignação da classe em ações práticas pelas ruas contra as reformas trabalhista e previdenciária. Ele lembrou que na greve de 1923, muitos gráficos foram presos, deportados do país e até mortos para garantirem tais direitos; os gráficos hoje precisam lutar apenas para não perdê-los.




