Nesta quinta-feira (20), após uma semana de greve no começo do mês para garantir a regularização salarial e direitos, os gráficos, jornalistas e os administrativos do jornal Diário do Comércio (DC), em Minas Gerais, receberão a metade do 13º salário e já tem data para receber o restante. O salário de novembro também foi pago no dia em que os empregados voltaram ao trabalho e o de dezembro tem data definida para ser quitado. O fato mostra que o que deveria ser pago normalmente, visto que é um direito dos funcionários, só foi possível devido a unidade e organização deles em torno dos seus sindicatos, como o STIG-MG, entidades que lideraram o movimento paredista unificado entre essas três categorias.
A greve durou quase uma semana. Começou em uma segunda-feira e só acabou na sexta-feira da mesma semana. Terminou no último dia 7, na metade da tarde. E só encerrou porque foi feito o depósito do salário de novembro de todos e foi firmado um acordo, assinado pelo dono do jornal, onde definiu e assumiu datas para a quitação do 13º salário, além de uma garantia do pagamento dos dias parados durante o movimento grevista.
“Os gráficos e demais profissionais envolvidos estavam conscientes e dispostos a continuarem a greve se o dinheiro não fosse pago. Somente retornaram, acertadamente, depois do salário de novembro na conta”, fala José Aparecido, diretor do STIG-MG, que conduzia todas as negociações.
Além da quitação do salário de novembro e definição da data para realizar o pagamento de dezembro, sem qualquer desconto salarial por conta da greve, bem como a definição para o depósito da 1ª e 2ª parcelas do 13º, o movimento paredista ainda garantiu medidas contra represálias do jornal sobre os trabalhadores. O dono do DC assinou um acordo coletivo de trabalho onde proíbe punições. O termo ainda garante a estabilidade no emprego por um certo período. Só depois segue o fluxo normalmente.
Para Aparecido, o movimento grevista mostrou duas questões produtivas. A primeira foi observar a disposição dos trabalhadores em lutarem, até o fim, pelos seus direitos de forma unificada, organizada e mobilizada junto dos representantes sindicais. O segundo ponto positivo foi ver que houve a negociação efetiva com o patrão e de forma pacífica, apesar da tensão. “Houve reuniões todos os dias em que a greve durou. E a política não apareceu em nenhum dos momentos, até porque não é função da polícia cuidar da relação entre o capital versus o trabalho, mas nossa segurança”.
A Confederação Nacional dos Gráficos (Conatig) parabeniza a atuação do STIG. A entidade também aproveita para realçar que, quando existe a unidade do sindicato e a determinação dos trabalhadores em buscar regularizar seus direitos, os resultados são sempre positivos, a exemplo da semana de greve no jornal. “A regra continua a mesma. O patrão só atende os interesses dos trabalhadores com as máquinas paradas, o que é lamentável, pois a falta de reconhecimento e o diálogo geram situação de desconforto, pontua Leonardo Del Roy, presidente da Conatig.




