Muito além de ser um dia de festa, o dia 8 de março representa a luta das mulheres trabalhadoras. Ainda hoje temos muito mais pelo que lutar do que para comemorar.
Vivemos em uma sociedade (capitalista) tremendamente machista em que as mulheres ainda são tratadas como seres menos capazes do que os homens. Como conseqüência são menos valorizadas no trabalho e constantemente são vítimas de violência física por parte de seus próprios companheiros, pais, irmãos e outros. O que pode ser facilmente constatado pelos números abaixo.
Dados da violência
Dos mais pobres do mundo 70% são mulheres; nos últimos 20 anos, cresceu em 50% o número de mulheres que vivem abaixo da linha de pobreza e entre aqueles que recebem salário mínimo, 53% são mulheres; A cada 15 segundos, uma mulher é espancada e a cada nove segundos, uma mulher é ofendida e ou desmoralizada no trabalho doméstico ou remunerado; mulheres negras entre 16 e 24 anos têm três vezes mais chances de serem estupradas que as mulheres brancas; As mulheres constituem 63% das vítimas de agressões físicas no ambiente doméstico e são responsáveis pelo sustento de 1/3 das famílias no Brasil.
Quem de fato lucra com o machismo são os patrões (grandes empresários e banqueiros) e os governos. Ao convencerem os homens, e as próprias mulheres, de que são menos capazes, conseguem força de trabalho de excelente qualidade, pagando salários muito menores.
Além disso, o Estado (governos federais, estaduais e municipais) e as empresas se beneficiam também do machismo quando deixam de pagar salários melhores aos homens, confiando no trabalho doméstico gratuito, realizado pelas mulheres e que possibilita a manutenção das condições básicas para a reprodução da força de trabalho. Afinal grande parte das mães e esposas fazem tudo de graça - lavam, passam, cozinham, cuidam dos filhos. Estas tarefas deveriam ser compartilhadas entre homens, mulheres e o próprio Estado, que deveria oferecer lavanderias e restaurantes coletivos gratuitamente e creches para todas as crianças.
Quem mais sofre com o machismo sem dúvida são as mulheres trabalhadoras, mas todos os trabalhadores perdem: homens e mulheres. Pois a opressão ajuda os capitalista a corroerem os salários e a precarizar as condições de vida de toda a família.
Um pouco antes das eleições de 2006, para recuperar a sua imagem junto às mulheres, Lula apresentou ao congresso a lei Maria da Penha, cujo objetivo seria punir os homens que agridem mulheres. Esta lei foi divulgada pela imprensa e por sindicatos e organizações governistas, como a CUT, como uma grande conquista, no entanto tudo não passou de mais um engodo. Junto com a aprovação da lei Maria da Penha, Lula abriu um verdadeiro saco de maldades:
Com estas medidas o governo Lula se torna na prática, um grande agressor das mulheres trabalhadoras, e por tanto temos que lutar contra ele para garantir nossos direitos.
A luta pela legalização do Aborto
Este é um debate que as trabalhadoras brasileiras precisam fazer. A cada ano 1 milhão de abortos clandestinos que são feitos no Brasil, 150 mil mulheres morrem ou ficam com seqüelas, o aborto é a terceira causa de morte entre as mulheres. As vítimas desta violência são em sua maioria mulheres pobres, da classe trabalhadora. Mulheres de quem é retirado o direito de decidir sobre o próprio corpo e que seriam obrigadas a levar adiante uma gravidez indesejada, muitas vezes, pela completa falta de condição destas mulheres de criar um filho.
A contradição é que o aborto só é de fato proibido para aquelas mulheres que não podem pagar, pois quem tem dinheiro realiza o aborto com segurança em clínicas clandestinas.
Por estes motivos defendemos a legalização do aborto e a realização destes em hospitais públicos. Além disso defendemos que o governo e os meios de comunicação realizem uma ampla campanha de informação e a distribuição gratuita de métodos contraceptivos, tais como: camisinha masculina e feminina, pílulas e do dia seguinte, dentre outros.
A igreja católica, ao lançar a campanha da fraternidade cujo lema é “Escolhe, pois, a vida”, focando sua ação na luta contra a legalização do aborto e o uso dos contraceptivos, demonstra mais uma vez sua insensibilidade em relação à realidade do país. O aborto no Brasil é um problema social, na medida em que o Estado não oferece condições dignas de vida.
Por isso condenar o aborto como faz a igreja, é condenar as vítimas de um sistema injusto, desigual e conservador. É fechar os olhos aos problemas sociais, esquecer da vida das mulheres que morrem em função de abortos mal feitos e das milhares de crianças que nascem sem nenhum direito à vida digna.
NÓS ESCOLHEMOS A VIDA, MAS NÃO UMA VIDA QUALQUER. Defendemos a vida digna: Com alimentação, moradia, emprego, segurança, educação. Onde homens mulheres e crianças possam viver sem fome e sem violência.
Como acabar com a opressão e exploração das mulheres
Como foi dito antes, os capitalistas lucram muito com o machismo, por isto achamos que para acabar de vez com esta doença é preciso destruir o capitalismo e construir o socialismo. Para isso precisamos lutar nos organizar já. É no capitalismo que temos de obter as conquistas que melhorem as condições de vida das mulheres trabalhadoras.
Para que nossa luta seja vitoriosa é necessário uma aliança permanente entre homens e mulheres. Antes de tudo temos que derrotar a exploração vivida pela classe trabalhadora. Mas além disto é imprescindível organizar as mulheres trabalhadoras. Somente elas podem saber qual é o peso da opressão que sofrem e as ações necessárias para combatê-la.
Pimentel e Aécio exploram e oprimem as mulheres trabalhadoras
Hoje as mulheres correspondem a 2/3 do quadro de funcionárias dos serviços públicos municipal de Belo Horizonte e mais de 50% dos serviço público estadual em Minas Gerais .
Analisar a forma como Pimentel e Aécio tratam estas servidoras é uma boa forma para saber como tratam as mulheres em geral em seus governos. As trabalhadoras em educação, saúde, limpeza urbana e outras categorias em Minas são constantemente vítimas de assédio moral; a violência nos locais de trabalho cresce assustadoramente, principalmente onde a maioria são mulheres e não existe nenhum apoio às trabalhadoras agredidas; o índice de adoecimento em função do stress, da sobrecarga e das péssimas condições de trabalho é altíssimo e não existe uma política de saúde preventiva.
Tudo isto representa uma agressão às mulheres do serviço público, mas também a todas que precisam dos péssimos serviços oferecidos pelo Estado e pelo Município.
Participe conosco do ato pelo Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras
Dia 7 de março – concentração as 14h na praça da estação.
Faça contato conosco pelo telefone – (31)3201-52-82
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