Há duzentos anos os trabalhadores gráficos começaram a se organizar no Brasil. A origem da organização dos gráficos remete ao ano de 1808 quando D. João VI – Rei de Portugal trouxe a primeira tipografia. Dos primeiros grupos de trabalhadores que se reuniam para discutir suas condições de trabalho, surgiu no final de 1840 a primeira associação de tipógrafos no Rio de Janeiro. Em 1858 os gráficos fizeram a primeira greve – greve forte, organizada que foi duramente atacada por uma corte irada contra a ousadia dos gráficos. A greve foi derrotada mas os trabalhadores seguiram acreditando que era possível se organizar e vencer.
Nesses duzentos anos os gráficos tiveram lugar de destaque na organização da classe trabalhadora. Animados pela força da greve partiram no final do século para a organização nacional dos trabalhadores que já existiam em vários Estados do país. O início do século 20 foi marcado pelo surgimento de dezenas de associações que passaram a exigir o reconhecimento dos patrões, como representantes dos trabalhadores.
No entanto, esse objetivo não seria conquistado de forma tranqüila. Os patrões resistiam e tentavam inibir a todo custo a organização. Dezenas de trabalhadores – na época maioria de imigrantes italianos - foram perseguidos e deportados para seus países de origem.
MAS OS TRABLAHADORES NÃO DESISTIRAM! O reconhecimento aconteceu apenas em 1923, após cinqüenta e oito dias de greve em São Paulo. Votada por três mil trabalhadores, reunidos em Praça Pública a greve transcorreu em meio a todo tipo de obstáculo e perseguição: patrões enfurecidos demitiam os grevistas; a polícia do governo batia e impedia passeatas; capangas dos patrões saquearam o depósito com os alimentos doados aos grevistas por outros trabalhadores. Foram muitas as provações, mas a vitória veio com o reconhecimento da UTG – União dos Trabalhadores Gráficos de São Paulo, como representante legítima dos trabalhadores.
Os principais direitos da CLT já haviam sido conquistados pelos gráficos através de suas constantes lutas. Mais que defender o aumento do salário, as associações e sindicatos defendiam as bandeiras de toda a classe trabalhadora na época: as oito horas de trabalho; a redução de jornada para mulheres e crianças, melhores condições de trabalho, que veio a conquistar o direito à insalubridade e a aposentadoria especial, o direito ao voto. Por isso contavam com o apoio irrestrito de outros trabalhadores. Foi essa união com toda a classe organizada que garantiu os direitos para essa categoria.
A conjuntura histórica do Brasil, sempre desvantajosa para os trabalhadores ocasionou o retrocesso em muitos direitos conquistados. Os gráficos, como toda a classe trabalhadora, enfrentam hoje problemas que pareciam superados, mas que devido as políticas dos governos e patrões voltam ao cenário de lutas da categoria. A piora nas condições de trabalho, a criminalização das organizações de trabalhadores e a entrada massiva de novas tecnologias ameaçando ainda mais o emprego, trouxe um cenário de distanciamento forçado dos trabalhadores em relação aos sindicatos, dificultando a organização e a possibilidade de novas conquistas.
A luta principal da categoria hoje é contra a precarização e a fragmentação da indústria gráfica e também pela garantia dos direitos garantidos em lei. O STIG-MG, juntamente com a Conatig, a Conlutas e todos os trabalhadores reunidos na central, segue firme na resistência e na luta contra o projeto neoliberal, que retira direitos dos trabalhadores.
É para essa luta, organizada e unitária que chamamos os gráficos a se mobilizarem.
Parabéns trabalhadores Gráficos!
Pelos duzentos anos de lutas, conquistas e resistência
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