06-03-08

200 anos de indústria gráfica no Brasil Gráficos resistem e lutam contra a precarização

Há duzentos anos os trabalhadores gráficos começaram a se organizar no Brasil. A origem da organização dos gráficos remete ao ano de 1808 quando D. João VI – Rei de Portugal trouxe a primeira tipografia. Dos primeiros grupos de trabalhadores que se reuniam para discutir suas condições de trabalho, surgiu no final de 1840 a primeira associação de tipógrafos no Rio de Janeiro. Em 1858 os gráficos fizeram a primeira greve – greve forte, organizada que foi duramente atacada por uma corte irada contra a ousadia dos gráficos. A greve foi derrotada mas os trabalhadores seguiram acreditando que era possível se organizar e vencer.

Nesses duzentos anos os gráficos tiveram lugar de destaque na organização da classe trabalhadora. Animados pela força da greve partiram no final do século para a organização nacional dos trabalhadores que já existiam em vários Estados do país. O início do século 20 foi marcado pelo surgimento de dezenas de associações que passaram a exigir o reconhecimento dos patrões, como representantes dos trabalhadores.

No entanto, esse objetivo não seria conquistado de forma tranqüila. Os patrões resistiam e tentavam inibir a todo custo a organização. Dezenas de trabalhadores – na época maioria de imigrantes italianos - foram perseguidos e deportados para seus países de origem.

MAS OS TRABLAHADORES NÃO DESISTIRAM! O reconhecimento aconteceu apenas em 1923, após cinqüenta e oito dias de greve em São Paulo. Votada por três mil trabalhadores, reunidos em Praça Pública a greve transcorreu em meio a todo tipo de obstáculo e perseguição: patrões enfurecidos demitiam os grevistas; a polícia do governo batia e impedia passeatas; capangas dos patrões saquearam o depósito com os alimentos doados aos grevistas por outros trabalhadores. Foram muitas as provações, mas a vitória veio com o reconhecimento da UTG – União dos Trabalhadores Gráficos de São Paulo, como representante legítima dos trabalhadores.

GRÁFICOS SAÍRAM À FRENTE NA CONQUISTA DE DIREITOS

Os principais direitos da CLT já haviam sido conquistados pelos gráficos através de suas constantes lutas. Mais que defender o aumento do salário, as associações e sindicatos defendiam as bandeiras de toda a classe trabalhadora na época: as oito horas de trabalho; a redução de jornada para mulheres e crianças, melhores condições de trabalho, que veio a conquistar o direito à insalubridade e a aposentadoria especial, o direito ao voto. Por isso contavam com o apoio irrestrito de outros trabalhadores. Foi essa união com toda a classe organizada que garantiu os direitos para essa categoria.

Duzentos anos depois a luta contra a precarização

A conjuntura histórica do Brasil, sempre desvantajosa para os trabalhadores ocasionou o retrocesso em muitos direitos conquistados. Os gráficos, como toda a classe trabalhadora, enfrentam hoje problemas que pareciam superados, mas que devido as políticas dos governos e patrões voltam ao cenário de lutas da categoria. A piora nas condições de trabalho, a criminalização das organizações de trabalhadores e a entrada massiva de novas tecnologias ameaçando ainda mais o emprego, trouxe um cenário de distanciamento forçado dos trabalhadores em relação aos sindicatos, dificultando a organização e a possibilidade de novas conquistas.
A luta principal da categoria hoje é contra a precarização e a fragmentação da indústria gráfica e também pela garantia dos direitos garantidos em lei. O STIG-MG, juntamente com a Conatig, a  Conlutas e todos os trabalhadores reunidos na central, segue firme na resistência e na luta contra o projeto neoliberal, que retira direitos dos trabalhadores.

É para essa luta, organizada e unitária que chamamos os gráficos a se mobilizarem.

Parabéns trabalhadores Gráficos!
Pelos duzentos anos de lutas, conquistas e resistência

 

 

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