31/01/2008

 “O 7 de Fevereiro” - Dia Nacional do Trabalhador Gráfico

Comemoramos neste ano de 2008 os oitenta e cinco anos do Dia "7 de Fevereiro", não só pela importância da data além do respeito e admiração que dedicamos aos companheiros da memorável jornada que culminou com o reconhecimento do Dia Nacional do Trabalhador Gráfico, em especial, relatar um pouco que foi essa luta, os motivos do Movimento que resultou no legado de dignidade e honradez que nos foi dado pelos nossos companheiros gráficos daquela época.

A luta pela organização dos trabalhadores sempre foi difícil, o que não é novidade. A surpresa será para quem acha que tudo o que temos hoje como algumas garantias nos foi dado por mera concessão dos patrões ou pelo Governo. Ledo engano, pelo menos para o caso dos gráficos. A busca da organização e unidade de nossa Categoria vem realmente do século dezenove, quando já existiam as Associações de Artes Gráficas, o Centro Tipográfico Paulistano, o Grêmio dos Linotypistas e Anexos de São Paulo e a União dos Trabalhadores Gráficos, sendo que esta foi tentada por diversas vezes.

 "O Trabalhador Gráfico", "II Muratore", "II Meridionale", "La Lotta Proletária", "L'Asino" e "La Bataglia", formavam o grupo dos jornais dos Sindicatos da época. Era chamada de "Imprensa Operária". Essas edições, não eram as únicas e a principal particularidade era que eram editadas no idioma italiano, e outras no espanhol. Quando saiu o primeiro número de "O Trabalhador Gráfico", em 1920, aqui em São Paulo, no Rio de Janeiro já existia a publicação de "O Gráfico". A fundação do Grêmio dos Linotypistas e Anexos de São Paulo, em 22 de agosto de 1914, entidade que possibilitou o surgimento da União dos Trabalhadores Gráficos, a nossa gloriosa U.T.G., em 25 de maio de 1919. Amadurecia, assim, a organização dos trabalhadores gráficos, que no curso de quatro anos de trabalho, até 1923, permitiu o aparecimento de tantos outros combativos lideres sindicais, tais como: João Jorge da Costa Pimenta, Carlos Boscoli, Paulo Lembo, Isidoro Diego, Domingos Memmo, Domênico Endrigo, João Penteado e Francisco Linero.

No mês de janeiro de 1923 a U.T.G. convoca uma assembléia geral da Categoria para a aprovação da tabela de salários e de um memorial de reivindicações a ser encaminhado aos patrões. Além da proposta salarial inclui também a abolição do trabalho sobre contrato, jornada de trabalho de 8 horas por dia, descanso semanal remunerado, proibição do trabalho noturno para mulheres e menores. Apresentam, portanto algumas reivindicações específicas do setor gráfico e outras mais que englobam o conjunto dos trabalhadores. Reaparecem assim, algumas reivindicações que já haviam motivado os Movimentos grevistas de 1917 e de 1919 em São Paulo. O que se imaginava conquistar e executar ressurge novamente como reivindicação, a jornada de 8 horas de trabalho diária. (7h20min, hoje)

Aceito o memorial pelos gráficos, ele é enviado à Associação dos Industriais e Comerciantes Gráficos de São Paulo. Os patrões o ignoram e negam-se a negociar com a U.T.G., enquanto representante de classe, pois alegam não possuir autoridade para tanto. Ameaçam com "lock-out", caso venham ocorrer greves parciais nas diversas empresas. Diante dessa situação, a U.T.G. convoca um comício para 7 de fevereiro no Palace Theatro, com o objetivo de tomar algumas deliberações frente aos acontecimentos. Além da greve geral, decidem lutar também pelo "reconhecimento da U.T.G. como legítima representante dos operários gráficos da cidade de São Paulo".

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