Empresas multinacionais

14/09/2009

Donnelley-Moore não respeita trabalhadores

A RR Donnelley-Moore é considerada a maior multinacional gráfica do mundo. Tal classificação no ranking do mercado foi possível graças a diversas fusões e incorporações de outras empresas do ramo e, mais importante: graças à dedicação dos trabalhadores gráficos espalhados nas 125 fábricas de mais de trinta países onde atua, conforme informações do seu próprio site. A dedicação cotidiana de seus trabalhadores, sem dúvida é o que define a liderança propalada no site da RR Donnelley-Morre, como: “A líder mundial em serviços gráficos”.

No Brasil, a empresa atua desde 1995 “por meio de seis unidades industriais estrategicamente localizadas - duas em São Paulo (Barueri e Osasco), uma em Minas Gerais (Santa Rita do Sapucaí), uma no Rio Grande do Sul (Gravataí), uma em Santa Catarina (Blumenau) e uma nova unidade em Recife (Paulista).”

De acordo com o site “Os segmentos de atuação no país incluem livros, revistas, catálogos, listas telefônicas, formulários, etiquetas, documentos fiscais e de segurança, materiais promocionais, impressão de dados variáveis, malas-diretas, captura de dados e gerenciamento de formulários.” Ou seja, a atuação da empresa é vasta e suas seis unidades sempre lhe permitiram movimentar, transferir e/ou trocar a produção de uma para outra, conforme suas conveniências. Prova disso é que nas datas-bases, as unidades em campanha quase sempre ficam sem serviço, enquanto outras ficam abarrotadas.

Empresa retribui lucro de 25 anos com prejuízo generalizado

Nem o vasto campo de atuação, nem o “faturamento anual de US$ 7,2 bilhões”, tampouco a dedicação de seus trabalhadores, impediram que a empresa fechasse no último dia 26 de agosto, a unidade de Santa Rita do Sapucaí, uma das mais lucrativas do país. A alegação de que fechou devido ao fim das Notas Fiscais é desmentida no próprio site, ao noticiar um longo processo de adaptação da empresa à realidade das notas eletrônicas, inclusive tendo se preparado para abocanhar boa parte do mercado das notas eletrônicas.

O método adotado pela empresa e seus executivos – gerentes, supervisores, chefes de setor em Santa Rita, fez jus à má fama mundial da Donnelley, de secundarizar a produção em detrimento das operações financeiras em bolsas de valores, de não respeitar seus trabalhadores e de descumprir a legislação trabalhista dos países onde atua. Somam-se a isso, requintes de desumanidade totalmente desnecessários:

  1. No início de agosto a empresa plantou na região o boato de que ia fechar;
  2. Gerentes e supervisores procurados pelo Sindicato e demais funcionários não confirmaram, mas também não desmentiram os boatos, o que causou ainda mais pânico;
  3. Supervisores mandaram que todos fizessem “exames periódicos”. Questionados, disseram que “era rotina”, desmerecendo a inteligência dos trabalhadores;
  4. Em nenhum momento a direção da empresa procurou pelos funcionários para dar uma satisfação e quando procurados pelo Sindicato, não se dignaram a dizer a verdade;
  5. Mais boatos chegam aos trabalhadores, dando conta de que o Prefeito de Santa Rita havia sido procurado e informado sobre o fechamento;
  6. No dia 26/08 a empresa espalhou uma dezena de seguranças pela fábrica e mandou que todos se dirigissem ao Grêmio.
  7. Em seguida o gerente da fábrica e a chefe dos Recursos Humanos leram uma ata informando sobre o fechamento e distribuíram os avisos prévios.
  8. Nenhum espaço foi dado para perguntas, nenhuma informação adicional, nenhum resquício de respeito pelos quase duzentos pais e mães de família que estavam sendo colocados na rua.
  9. Empresa comunica rescisões no Ministério do Trabalho, ignorando que as mesmas devem ser acompanhadas pelo Sindicato.

Poder público e setor privado unidos contra os trabalhadores

Assim foi o fechamento da unidade Santa Rita da RR Donnelley-Moore, empresa que cresceu e lucrou ali por vinte e cinco anos, usufruindo de benefícios do Estado, de força de trabalho altamente qualificada e da boa fé de todos na Região.

Não temos notícia de que o prefeito tenha feito qualquer esforço, qualquer reivindicação para negociar condições do fechamento e proteger os trabalhadores, que aliás, devem ser seus eleitores potenciais.

O saldo de toda essa ação para a empresa é certamente mais lucro. Afinal ela não fechou as portas por problemas financeiros e sim, para ganhar mais dinheiro em outra parte.

Mas para os trabalhadores e seus familiares, para as comunidades locais, o saldo é muito prejuízo. E não apenas prejuízo financeiro, mas prejuízo social e moral. Insegurança, baixa-estima, desemprego, raiva e indignação, que deve ser canalizada para a busca de justiça e para dar a volta por cima.

O Sindicato dos Gráficos está agindo na medida do possível, dada a tentativa de sabotagem da sua representatividade: Solicitamos providência ao Ministério Público do Trabalho; reivindicamos ao Ministério do Trabalho a conferência das rescisões e nos reunimos com advogado da empresa, apresentando as reivindicações dos trabalhadores que são:

Repúdio

O STIG-MG repudia a atitude da RR Donnelley-Moore que prioriza os negócios financeiros a ponto de não hesitar, em demitir em massa e ignorar qualquer responsabilidade social.

Para nós, trabalhadores e setores organizados da sociedade precisam exigir do Estado - governos Federal, Estadual e Municipal, que criem regras para o funcionamento de empresas, especialmente as multinacionais no país. Não tem lógica se oferecer incentivos financeiros e tantas outras facilidades às empresas, sem exigir delas garantia de empregos e salários justos, respeito ao meio ambiente e, principalmente, respeito ao ser humano que trabalha.

Pedimos publicamente a solidariedade do movimento sindical nacional e internacional aos trabalhadores da RR Donnelley-Moore. Que todos que compreendem a necessidade de lutar por relações sociais e trabalhistas mais justas, possam ajudar o STIG-MG nas ações sindicais e políticas que estão em curso para a defesa dos direitos dos trabalhadores.

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