Debates

ELEIÇÕES: A “DEMOCRACIA” DO PODER ECONÔMICO

Eliana Lacerda

Todo trabalhador deve ter consciência de que as eleições, por si só, não resolvem os problemas da classe trabalhadora. Por mais promessas que façam os políticos, a verdade é que as eleições servem para reforçar ou manter os poderosos dominando a cena política.

Um dos piores ingredientes das eleições é a corrupção e os maus políticos se vendem facilmente. E é por isso que muita gente muda de lado. Por que o poder burguês seduz e corrompe... A burguesia utiliza-se o tempo todo de poder econômico, transformando todas as relações sociais em mercadorias. E mercadoria tem preço...

O preço do PT foi chegar ao poder a qualquer custo. Para isso fez acordo com os patrões do PL, inclusive o Zé Alencar da FIEMG (a federação das indústrias que orienta todos os patrões de MG a nos ferrar na mesa de negociação). Esses patrões passaram a ser chamados pelos petistas de “companheiros”, deturpando inclusive o sentido desta palavra.

Acabamos de sair de mais uma eleição. A Rede Globo, que estava atolada em dívidas, foi beneficiada pelo Governo do PT e agora canta aos quatro ventos que o grande vitorioso nas eleições foi o partido do Zé Dirceu e Lula. Sem dúvida o PT teve uma expressiva votação, mas quem não se lembra do PMDB em 1986, que elegeu mais de 20 governadores? Ora, elegeu mas trabalhou contra o povo e contra os trabalhadores. Parece que a história se repete... E nesta história não importa que partido ganhe. O que importa é que os trabalhadores e o povo pobre sempre perdem. Temos que mudar esta lógica.

Para isso precisamos ter claro que somente a luta muda nossa vida. E a luta dos trabalhadores exige consciência de classe, solidariedade, organização, desprendimento e muita coragem. Tudo isso para derrotar a intrincada rede de poder capitalista que se baseia na corrupção, na opressão e nas “manobras democráticas”.

Povo alienado sofre dobrado

A consciência e organização popular precisa avançar mais. Pensem sobre o caso de Unaí-MG onde um dos presos – Antério Mânica -, acusado de matar os servidores da Delegacia Regional do Trabalho de MG, foi eleito prefeito com quase 75% dos votos? Tão logo foi eleito conseguiu sair da prisão foi direto para um hotel de luxo em BH e comemorou rodeado de repórteres. Depois foi recebido em Unaí por mais de 800 pessoas – provavelmente fazendeiros como ele – e ainda desfilou em carro aberto pela cidade.

Até quando o povo vai agir contra si mesmo? Até quando nós trabalhadores vamos legitimar os políticos bandidos que são os responsáveis por todos os problemas que vivemos? Certamente quando nos conscientizarmos de que as mudanças não caem do céu, não são obras de ‘salvadores da pátria’, é que esta situação vai mudar. Elas só virão realmente quando resolvemos nos organizar, confiar no companheiro e lutar pela transformação da sociedade em benefício da maioria.

Eliana Lacerda é diretora do STIG-MG e da FNTIG


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